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IA vai tirar seu emprego? O protesto de robôs na Polônia explica

Robô professor ensina código binário no quadro-negro para crianças em sala de aula

Nos últimos anos, com o avanço rápido das IAs (Inteligências Artificiais), tanto em chats quanto na criação de imagens e vídeos, uma preocupação surgiu: será que vamos ser totalmente substituídos por elas? Agora, com robôs em formato humanoide, até mesmo os trabalhos braçais poderiam ser substituídos. Afinal, funcionários que não cansam não precisam de folga nem de intervalo.

Protesto dos robôs na Polônia

No dia 7 de setembro de 2026, em Varsóvia, capital da Polônia, aproximadamente 30 robôs fizeram uma manifestação, marchando e levantando faixas para exigir uma regulamentação da IA no país. O protesto ocorreu em frente ao Ministério de Assuntos Digitais. Claro que esses robôs não se organizaram sozinhos — afinal, eles ainda teriam dificuldade em conseguir as faixas por conta própria. A organização de tudo foi feita pela Democratism, uma iniciativa que tem a intenção de chamar atenção e debater como os robôs e as IAs podem afetar o mercado de trabalho.

Reivindicações do protesto

Durante a manifestação, podiam ser ouvidas, saindo dos autofalantes dos robôs, frases exigindo regulamentação e proteção dos empregos. Grzegorz Kuliś, organizador do evento, destacou que a principal preocupação é proteger os trabalhos cognitivos: querem uma regulamentação agora, pois, como o avanço é muito rápido, no futuro isso pode virar um problema maior.

Quais funções já estão na mira?

Já existem IAs capazes de realizar atendimento a clientes. O primeiro contato de alguém ao entrar em contato com uma empresa muitas vezes é com uma IA, que consegue até mesmo solucionar o problema do cliente caso seja apenas uma dúvida, ou dar suporte fornecendo orientações. Outra função que já vem sendo usada é a análise de dados: um ser humano poderia levar horas lendo planilhas antes de começar uma análise que uma IA faz em segundos. A área de programação também sente o impacto, com IAs gerando código, além de ferramentas para criar redações, corrigir textos e fazer traduções.

Europa já tem lei. Brasil ainda nem votou.

A União Europeia saiu na frente e, desde 2024, tem o AI Act, a primeira lei ampla sobre inteligência artificial do mundo. Ela funciona por nível de risco: quanto mais a IA pode afetar a vida das pessoas, mais regras ela precisa seguir. Um sistema que ajuda a organizar arquivos não é tratado da mesma forma que uma IA usada para decidir quem é contratado em uma empresa.

E é justamente aí que a coisa esbarra na prática. Sistemas de IA usados em processos seletivos entram na categoria de alto risco, e por isso precisariam de mais fiscalização e transparência. Só que o prazo para essas regras valerem, que era agosto de 2026, acabou sendo adiado para dezembro de 2027, porque nem as empresas nem os órgãos responsáveis pelas normas técnicas estavam prontos a tempo. As regras de transparência, essas que obrigam avisar quando você está falando com uma máquina, continuam valendo desde agosto de 2026 mesmo assim.

Se até a Europa, que começou a se mexer primeiro, está enrolando para colocar a lei de pé, dá para imaginar como anda por aqui.

No Brasil existe o PL 2338/2023, conhecido como Marco Legal da IA, que segue a mesma ideia de classificar os sistemas por risco. Foi aprovado pelo Senado em dezembro de 2024 e foi para a Câmara dos Deputados em março de 2025. E é onde ele está até hoje. Em setembro de 2026, o projeto ainda aguardava o parecer do relator, mais de um ano depois de a comissão especial ter sido criada, com cinco datas de votação marcadas e perdidas desde novembro de 2025. A votação acabou sendo empurrada para depois das eleições de outubro.

Enquanto os robôs saem às ruas na Polônia cobrando pressa, o projeto de lei brasileiro está parado há mais de um ano e meio esperando alguém escrever um parecer.

O que esperar

De fato, as IAs estão cada vez mais presentes no mercado de trabalho, e ajudam bastante. Acredito que isso pode reduzir a quantidade de funcionários em algumas áreas, mas dificilmente vai eliminar completamente as equipes — o mais provável é que a IA continue sendo usada como ferramenta, e não como substituta do funcionário. O problema, como mostra o próprio caso da Polônia, é que a tecnologia está avançando bem mais rápido do que as leis que deveriam regular seu uso.

E você, o que pensa sobre isso? Deixe sua opinião nos comentários logo abaixo.

Fontes

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